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Por que meu crochê está alargando? (e como corrigir)

Uma peça que vai virando trapézio é uma das frustrações mais comuns de quem está começando — e a boa notícia é que a causa é quase sempre a mesma: pontos extras entrando escondidos nas bordas. Quando você consegue ver exatamente onde estão o primeiro e o último ponto da carreira, fica fácil evitar o problema. Veja como diagnosticar e resolver de vez.

Nota de termos: esta página usa a nomenclatura brasileira. Em receitas americanas, ponto baixo (pb) é sc e ponto alto (pa) é dc; nas britânicas, pb é dc e pa é tr.

Primeiro, confirme se são pontos a mais

Conte os pontos da primeira carreira e da carreira mais recente. Se a contagem subiu, você está acrescentando pontos. Se a contagem é a mesma, mas a peça ainda parece mais larga em cima, pule para “Mudanças de tensão”, abaixo.

Causa 1: trabalhar na base das correntinhas de subida

É a causa mais comum no ponto alto (e em outros pontos altos), quando as correntinhas de subida contam como ponto.

  • Na maioria das receitas em pa, as 3 corr do início da carreira contam como o primeiro pa.
  • Isso significa que o primeiro pa de verdade vai no segundo ponto, e não no ponto bem na base das correntinhas.
  • Se você trabalha na base das correntinhas, fez dois pontos onde deveria haver um. Cada carreira ganha um ponto.

Solução: depois de fazer as 3 corr e virar, pule o primeiro ponto e faça o primeiro pa no seguinte.

Causa 2: trabalhar nas correntinhas de subida quando elas não contam

No ponto baixo, a 1 corr do início da carreira normalmente não conta como ponto. O primeiro pb vai no primeiríssimo ponto, bem na base da correntinha.

Se você também fizer um ponto nessa correntinha no fim da carreira seguinte, ganha um ponto por carreira.

Solução: no pb, nunca trabalhe na 1 corr no fim da carreira. O último ponto é o último pb de verdade.

Causa 3: dois pontos num só na borda

Quando o primeiro ponto é difícil de ver, é fácil trabalhar duas vezes nele, ou trabalhar no último ponto e também no espaço ao lado dele.

Solução: coloque um marcador de pontos no primeiro e no último ponto de cada carreira. Quando chegar ao marcador, você sabe que está na ponta.

Causa 4: trabalhar no lugar errado

Às vezes quem está começando confunde a haste vertical ou o espaço entre os pontos com um ponto novo, principalmente no pa. O topo de cada ponto é um V deitado; um V é um ponto.

Solução: olhe a carreira de cima e identifique os Vs. Enfie a agulha sob os dois fios de cada V, um de cada vez.

Causa 5: mudanças de tensão

Se a contagem está certa mas a peça ainda abre, sua tensão afrouxou à medida que você relaxou. As primeiras carreiras, feitas com muita concentração, costumam ficar apertadas; as seguintes ficam mais soltas e naturalmente mais largas.

Solução: treine numa amostra até a tensão se acertar. Se a primeira carreira fica apertada, um truque comum é fazer a corrente de base com uma agulha um número maior que a do resto do projeto.

Diagnóstico rápido

O que você percebe Causa provável Solução
Ganha 1 pt por carreira, em pa Primeiro pa feito na base das corr de subida Pular o primeiro pt quando as corr de subida contam
Ganha 1 pt por carreira, em pb Ponto feito na 1 corr no fim da carreira Ignorar a 1 corr no pb
Ganhos aleatórios Pontos dobrados nas bordas Marcar o primeiro e o último pt
Mesma contagem, mas abre Tensão afrouxando Amostra, tensão uniforme, agulha maior na corrente

Como consertar o que já foi feito

  • Diferença pequena (1–2 pontos): na próxima carreira, faça uma diminuição (2 pb ou 2 pa fechados juntos) perto da borda para trazer a contagem de volta. A borda fica um pouco irregular; o bloqueio pode ajudar a acertá-la.
  • Diferença grande: desmanche as carreiras até a última carreira certa e refaça (em inglês, desmanchar é chamado de frogging). Dói, mas é mais rápido que brigar com uma peça torta.

Dica: crie o hábito de contar todas as carreiras nos primeiros projetos. Leva poucos segundos e pega o erro na hora em que ele acontece.

Evite daqui para a frente

  1. Aprenda a regra das correntinhas de subida do seu ponto (contam ou não contam) e anote no alto da receita.
  2. Use dois marcadores de pontos, um em cada ponta da carreira.
  3. Conte todas as carreiras até conseguir ver as bordas sem pensar.

Perguntas frequentes

E se o meu crochê estiver estreitando?

São os erros contrários: pular o último ponto (que costuma se esconder sob as correntinhas de subida nas carreiras de pa) ou não trabalhar nas correntinhas de subida quando elas contam. Confira o último ponto de cada carreira.

As correntinhas de subida contam como ponto?

Depende do ponto e da receita. Na maioria das receitas, a 1 corr do pb não conta; as 2 corr do mpa variam; as 3 corr do pa geralmente contam. As observações da receita devem dizer.

Por que só um lado da minha peça está torto?

O erro está acontecendo em uma ponta só, geralmente no início ou no fim de toda carreira, não nas duas. Marque essa borda e observe com atenção.

Usamos os nomes e abreviações do crochê brasileiro, com o equivalente em inglês (EUA) para quem segue receitas estrangeiras.